A manhã começou quente tal como durante todos os dias daquele infernal Verão. O dia começou calmo. Pouco passava das 6 da manhã quando os trabalhadores começaram a abandonar as suas humildes casas e se lançaram ao duro trabalho de ceifar os campos que já há muito tinham perdido a sua habitual cor verde. Já desde Julho que se apresentavam amarelados e incapazes de oferecer sustento aquela pobre aldeia. O lago, outrora a grande alegria das gentes daquela terra, também não tinha resistido à grande seca e dele apenas restavam algumas poças de água suja pela terra. Esta situação tinha obrigado a que aqueles que quisessem beber e regar os seus campos, se tivessem de deslocar à aldeia mais próxima onde um pequeno riacho, que não muito antes tinha sido um rio, ia, aos poucos satisfazendo as necessidades de ambas povoações. Mas com o avançar das semanas a situação parecia não melhorar e havia já quem receasse que também este não resistisse às duras condições desse longo período estival.
O moleiro passeava-se lentamente na sua simples carroça puxada por uma mula que começava já a demonstrar o peso da sua idade. Paul vivera naquela aldeia toda a sua vida e não se lembrava de tal situação. Apesar de continuar a fazer o mesmo percurso todas as manhãs até ao velho moinho que já estava na sua família há mais tempo do que alguém se conseguia lembrar, não podia deixar de começar a pensar que talvez aquilo fosse um desperdício de tempo, uma vez que este já não funcionava desde que o rio tinha deixado de passar por ali. Subiu uma encosta onde teve de dar uma chicotada mais forte à mula que se recusara a fazer tanto esforço e teve um vislumbre de uma grande casa de campo que, apesar do sol abrasador mantinha as suas janelas firmemente fechadas. Olhou-a por alguns momentos e abanou a cabeça pensando nas horas difíceis que se passavam dentro daquelas paredes naquele momento.
- De todas as pessoas do mundo, Deus teve de os escolher a eles - murmurou para a mula que tinha aproveitado a pausa para se deliciar com um monte de erva que, miraculosamente, continuava tão verde quanto nos bons tempos da aldeia - Uma tristeza, uma tristeza. Gente boa, esta. Mas quem somos nós para decidir quem deve sofrer? Vamos! - Paul deu mais uma chicotada na mula que, com ainda mais pesar seguiu o seu caminho.
A casa de campo dos Yarbrough erguia-se imponentemente por entre as árvores do bosque. Para marcar o terreno que lhe pertencia, tinha sido construída uma pequena estrada de pedra que fazia lembrar, tal como todos comentavam desde a sua construção, mais uma pequena colecção de jazigos do que um local de passagem. A construção não dava espaço para que mais do que uma carroça ou um carro passassem e, de ambos os lados, continuavam a existir as árvores e a terra batida que sempre fizeram parte daquele local. Ao contrário do que seria de esperar, a estrada não dava acesso directo à casa para quem não fosse a pé, acabando abruptamente com dois degraus de pedra antes do portão principal de ferro que, tal como o resto do muro da entrada da casa, se encontrava vigiado por dois majestosos pilares de pedra. Se os carros ou carroças quisessem entrar na casa, tinham de utilizar um portão que ficava do outro lado da casa e que apenas se poderia encontrar na aldeia mais próxima.
Quem olhasse através do portão principal, conseguia ver uma parte da casa ao fundo. Era uma construção que utilizava o mesmo material do muro, com três andares e muitas janelas. Em largura, ocupava metade do jardim da entrada. Do telhado de telhas negras, erguiam-se também duas janelas do sótão bem como um conjunto de quatro pequenas chaminés em forma cilíndrica que se situavam na ponta direita. Era tão alta que, apesar do muro, toda a gente conseguia ver o andar superior.
O jardim principal que se encontrava na parte da frente da casa era magnífico. Estava coberto de relva bem tratada (apesar do longo Verão a ter amarelejado) e de magníficas árvores de todos os tipos que serviam para esconder um pouco a casa de olhares indesejáveis, no entanto as maiores riquezas da propriedade estavam apenas visíveis para aqueles que lá entrassem. Não dentro da construção de pedra, mas sim nas traseiras onde, corria o rumor, existia quase um mundo desconhecido e ninguém poderia imaginar o tamanho que ocupava.
Tudo estava dividido por secções. Logo à saída da porta da cozinha havia um pequeno jardim destinado essencialmente ao convívio da família. Um altivo cedro cobria de sombra aquele local. Debaixo dele encontrava-se uma mesa branca com seis cadeiras. A poucos metros de distância, do lado direito, também parcialmente escondida por duas árvores estava a estufa, um dos locais preferidos para as brincadeiras das crianças. Depois seguia-se uma grande porção de terreno onde apenas havia relva e que, aparentemente, não servia para nada. A explicação para aquela porção de terreno aparecia um pouco mais à frente nas cavalariças situadas a poucos metros de distância do lago. Haviam quatro cavalos e um pónei que pertenciam a James Yarbrough e aos filhos e costumava ser usual vê-los trotear alegremente pelos terrenos sob o olhar atento da mãe. Mas não nos últimos tempos.
O resto da propriedade estendia-se até às longínquas montanhas onde apenas James se atrevia a levar o seu fiel cavalo branco.
Os Yarbrough habitavam a maioria do ano nos arredores de Londres. O pai da família era advogado na cidade, mas desde o nascimento da filha mais nova que habitavam uma outra casa que não tinha a mesma magnitude daquela. Ali era apenas o local onde a grande e feliz família passava os meses de Verão para fugir à azáfama e mais hábitos da cidade.
James Yarbrough vinha de uma rica família de comerciantes escoceses e era filho único. Os pais tinham morrido quando ele era ainda novo, por isso foi criado por um tio de Manchester que vivia sozinho com a mulher depois de a única filha do casal ter morrido. James teve sempre o que precisou e a sua nova família sempre fez questão de o levar à Escócia todos os anos para que ele não perdesse o contacto com as suas origens, no entanto James nunca mostrou particular interesse pelo país, ao contrário do tio. De facto a única coisa que tinha herdado do tio, Henry Yarbrough, fora a paixão por cavalos. Desde cedo aprendeu a cavalgar e durante a adolescência ganhou vários prémios. Na generalidade a sua vida sempre foi calma sem grandes sobressaltos. Essencialmente tinha aprendido a ser um cavalheiro britânico. O seu destino foi, desde sempre, marcado: advogado, como o tio.
Quando fez 17 anos, James foi enviado para a Escócia por um ano para aprender a defender-se sozinho. Seria uma viagem feita essencialmente a pé e sem grandes luxos. Foi durante uma estadia numa pequena aldeia no Norte do país que a vida do jovem mudaria. Depois de dois dias seguidos a dormir ao relento, James não podia acreditar quando viu meia dúzia de casas escondidas num vale. A primeira pessoa que viu foi uma jovem de cabelos castanho avelã, grandes olhos azuis, tez pálida e feições delicadas que lavava a roupa no rio. O seu nome era Katherine Jones e era, também ela, filha única de um agricultor que morava na aldeia. A mãe tinha morrido ao dar à luz. Tal como a bonita desconhecida, James também não deixava ninguém indiferente. Tinha olhos verdes, um rosto bem definido, usava barba e bigode e era bem-constituido. Acabou por ficar mais tempo do que o planeado na aldeia sendo que só a abandonaria dois meses mais tarde com a companhia de Katherine que apenas aceitou acompanhá-lo se ele visitasse quantas vezes fosse possível a aldeia.
Regressado a Inglaterra, James apresentou com orgulho aquela a quem chamava “noiva”. Henry não deu grande importância à relação do sobrinho acreditando que não passaria de um inocente namoro de adolescentes, no entanto a sua mulher, Jane, nem queria acreditar quando ele lhe apresentou a rapariga de 14 anos. James ficou ofendido por ver a reacção dos tios, de tal maneira que pediu o dinheiro que tinha herdado do pai e partiu com Katherine, para Glasgow.
Mal tinha passado um ano desde que tinha abandonado a casa dos tios, já James segurava o seu primeiro filho nos braços. Katherine tinha apenas 15 anos quando deu à luz Francis Robert Yarbrough, o futuro herdeiro dos Yarbrough. O facto de não serem casados não preocupou o novo pai, mas a sua jovem mulher, educada de uma forma extremamente católica, confessou que se sentia suja por ter cometido tamanho pecado e ameaçou James que o abandonaria se ele não a levasse à igreja da sua aldeia para oficializarem a sua união. Contrariado, James juntou um grupo de amigos, enviou uma carta aos tios e marcou casamento para o dia 17 de Julho de 1889.
Foi uma cerimónia pequena, mas magnifica. O Verão tinha trazido uma nova vida à pequena aldeia. Os campos estavam esverdeados, os ramos das árvores dobravam-se com os frutos, o chão enchia-se de flores. Toda a gente foi até à igreja ver a filha da terra contrair matrimónio com “o nobre” como era conhecido James. Todos levaram flores que atiraram aos noivos quando eles abandonaram “a casa de Deus”. Katherine vestiu-se de branco. Quase ninguém sabia da existência de um bebé de três meses que tinha sido deixado com uma amiga em Glasgow. O dia estava bonito, o sol brilhava, estava calor. James que era completamente contra a ideia de casamento acabou por gostar bastante da cerimónia. Quem também confessou ter gostado mais da cerimónia do que tinha esperado, foram os tios do noivo que, finalmente, aceitaram a nova sobrinha. Afinal os Yarbrough vinham, também eles, de uma pobre família de agricultores.
O casal não teve uma lua-de-mel. Dois dias depois da cerimónia seguiram imediatamente para Glasgow e tiveram uma vida normal e feliz durante dois anos.
A notícia da morte do tio chegou a James por carta numa manhã chuvosa de Outubro de 1890. A letra era da tia e estava tremida. Implorou ao sobrinho que regressasse a Londres não só para o funeral, mas também para lhe fazer companhia juntamente com a mulher e o filho. Katherine aceitou prontamente e ele acabou por consentir também.
Em 1893, o mesmo ano em que James terminou o curso, o casal teve mais um filho. Chamaram-lhe Edward (o segundo nome de Henry). James entrou no mundo de trabalho através de um amigo que tinha conhecido na Universidade de Londres chamado Charles Berry, uma vez que o pai dele era dono do seu próprio escritório na cidade.
Em 1896 a tia de James morreu e ele herdou toda a fortuna do tio que juntou ao dinheiro que ainda sobrava do que tinha o pai. Foi então que concretizou o sonho de Katherine e comprou uma enorme quantidade de terreno na sua terra natal na Escócia já com o projecto de construir um local onde pudesse praticar equitação. As obras começaram em Março de 1897 e só acabaram em 1900. Pelo meio nasceram mais dois filhos: Jacob James Yarbrough em 1898 e, a primeira rapariga da família, Lucy Elizabeth Yarbrough. Foi com o nascimento desta última que James se despediu do seu antigo emprego com os Berry e se mudou para os subúrbios bem longe da sua antiga casa. Foi a partir daí que todos os verões a família esquecia a sua vida durante três meses, fazia as malas e viajava até à Escócia.
O moleiro passeava-se lentamente na sua simples carroça puxada por uma mula que começava já a demonstrar o peso da sua idade. Paul vivera naquela aldeia toda a sua vida e não se lembrava de tal situação. Apesar de continuar a fazer o mesmo percurso todas as manhãs até ao velho moinho que já estava na sua família há mais tempo do que alguém se conseguia lembrar, não podia deixar de começar a pensar que talvez aquilo fosse um desperdício de tempo, uma vez que este já não funcionava desde que o rio tinha deixado de passar por ali. Subiu uma encosta onde teve de dar uma chicotada mais forte à mula que se recusara a fazer tanto esforço e teve um vislumbre de uma grande casa de campo que, apesar do sol abrasador mantinha as suas janelas firmemente fechadas. Olhou-a por alguns momentos e abanou a cabeça pensando nas horas difíceis que se passavam dentro daquelas paredes naquele momento.
- De todas as pessoas do mundo, Deus teve de os escolher a eles - murmurou para a mula que tinha aproveitado a pausa para se deliciar com um monte de erva que, miraculosamente, continuava tão verde quanto nos bons tempos da aldeia - Uma tristeza, uma tristeza. Gente boa, esta. Mas quem somos nós para decidir quem deve sofrer? Vamos! - Paul deu mais uma chicotada na mula que, com ainda mais pesar seguiu o seu caminho.
A casa de campo dos Yarbrough erguia-se imponentemente por entre as árvores do bosque. Para marcar o terreno que lhe pertencia, tinha sido construída uma pequena estrada de pedra que fazia lembrar, tal como todos comentavam desde a sua construção, mais uma pequena colecção de jazigos do que um local de passagem. A construção não dava espaço para que mais do que uma carroça ou um carro passassem e, de ambos os lados, continuavam a existir as árvores e a terra batida que sempre fizeram parte daquele local. Ao contrário do que seria de esperar, a estrada não dava acesso directo à casa para quem não fosse a pé, acabando abruptamente com dois degraus de pedra antes do portão principal de ferro que, tal como o resto do muro da entrada da casa, se encontrava vigiado por dois majestosos pilares de pedra. Se os carros ou carroças quisessem entrar na casa, tinham de utilizar um portão que ficava do outro lado da casa e que apenas se poderia encontrar na aldeia mais próxima.
Quem olhasse através do portão principal, conseguia ver uma parte da casa ao fundo. Era uma construção que utilizava o mesmo material do muro, com três andares e muitas janelas. Em largura, ocupava metade do jardim da entrada. Do telhado de telhas negras, erguiam-se também duas janelas do sótão bem como um conjunto de quatro pequenas chaminés em forma cilíndrica que se situavam na ponta direita. Era tão alta que, apesar do muro, toda a gente conseguia ver o andar superior.
O jardim principal que se encontrava na parte da frente da casa era magnífico. Estava coberto de relva bem tratada (apesar do longo Verão a ter amarelejado) e de magníficas árvores de todos os tipos que serviam para esconder um pouco a casa de olhares indesejáveis, no entanto as maiores riquezas da propriedade estavam apenas visíveis para aqueles que lá entrassem. Não dentro da construção de pedra, mas sim nas traseiras onde, corria o rumor, existia quase um mundo desconhecido e ninguém poderia imaginar o tamanho que ocupava.
Tudo estava dividido por secções. Logo à saída da porta da cozinha havia um pequeno jardim destinado essencialmente ao convívio da família. Um altivo cedro cobria de sombra aquele local. Debaixo dele encontrava-se uma mesa branca com seis cadeiras. A poucos metros de distância, do lado direito, também parcialmente escondida por duas árvores estava a estufa, um dos locais preferidos para as brincadeiras das crianças. Depois seguia-se uma grande porção de terreno onde apenas havia relva e que, aparentemente, não servia para nada. A explicação para aquela porção de terreno aparecia um pouco mais à frente nas cavalariças situadas a poucos metros de distância do lago. Haviam quatro cavalos e um pónei que pertenciam a James Yarbrough e aos filhos e costumava ser usual vê-los trotear alegremente pelos terrenos sob o olhar atento da mãe. Mas não nos últimos tempos.
O resto da propriedade estendia-se até às longínquas montanhas onde apenas James se atrevia a levar o seu fiel cavalo branco.
Os Yarbrough habitavam a maioria do ano nos arredores de Londres. O pai da família era advogado na cidade, mas desde o nascimento da filha mais nova que habitavam uma outra casa que não tinha a mesma magnitude daquela. Ali era apenas o local onde a grande e feliz família passava os meses de Verão para fugir à azáfama e mais hábitos da cidade.
James Yarbrough vinha de uma rica família de comerciantes escoceses e era filho único. Os pais tinham morrido quando ele era ainda novo, por isso foi criado por um tio de Manchester que vivia sozinho com a mulher depois de a única filha do casal ter morrido. James teve sempre o que precisou e a sua nova família sempre fez questão de o levar à Escócia todos os anos para que ele não perdesse o contacto com as suas origens, no entanto James nunca mostrou particular interesse pelo país, ao contrário do tio. De facto a única coisa que tinha herdado do tio, Henry Yarbrough, fora a paixão por cavalos. Desde cedo aprendeu a cavalgar e durante a adolescência ganhou vários prémios. Na generalidade a sua vida sempre foi calma sem grandes sobressaltos. Essencialmente tinha aprendido a ser um cavalheiro britânico. O seu destino foi, desde sempre, marcado: advogado, como o tio.
Quando fez 17 anos, James foi enviado para a Escócia por um ano para aprender a defender-se sozinho. Seria uma viagem feita essencialmente a pé e sem grandes luxos. Foi durante uma estadia numa pequena aldeia no Norte do país que a vida do jovem mudaria. Depois de dois dias seguidos a dormir ao relento, James não podia acreditar quando viu meia dúzia de casas escondidas num vale. A primeira pessoa que viu foi uma jovem de cabelos castanho avelã, grandes olhos azuis, tez pálida e feições delicadas que lavava a roupa no rio. O seu nome era Katherine Jones e era, também ela, filha única de um agricultor que morava na aldeia. A mãe tinha morrido ao dar à luz. Tal como a bonita desconhecida, James também não deixava ninguém indiferente. Tinha olhos verdes, um rosto bem definido, usava barba e bigode e era bem-constituido. Acabou por ficar mais tempo do que o planeado na aldeia sendo que só a abandonaria dois meses mais tarde com a companhia de Katherine que apenas aceitou acompanhá-lo se ele visitasse quantas vezes fosse possível a aldeia.
Regressado a Inglaterra, James apresentou com orgulho aquela a quem chamava “noiva”. Henry não deu grande importância à relação do sobrinho acreditando que não passaria de um inocente namoro de adolescentes, no entanto a sua mulher, Jane, nem queria acreditar quando ele lhe apresentou a rapariga de 14 anos. James ficou ofendido por ver a reacção dos tios, de tal maneira que pediu o dinheiro que tinha herdado do pai e partiu com Katherine, para Glasgow.
Mal tinha passado um ano desde que tinha abandonado a casa dos tios, já James segurava o seu primeiro filho nos braços. Katherine tinha apenas 15 anos quando deu à luz Francis Robert Yarbrough, o futuro herdeiro dos Yarbrough. O facto de não serem casados não preocupou o novo pai, mas a sua jovem mulher, educada de uma forma extremamente católica, confessou que se sentia suja por ter cometido tamanho pecado e ameaçou James que o abandonaria se ele não a levasse à igreja da sua aldeia para oficializarem a sua união. Contrariado, James juntou um grupo de amigos, enviou uma carta aos tios e marcou casamento para o dia 17 de Julho de 1889.
Foi uma cerimónia pequena, mas magnifica. O Verão tinha trazido uma nova vida à pequena aldeia. Os campos estavam esverdeados, os ramos das árvores dobravam-se com os frutos, o chão enchia-se de flores. Toda a gente foi até à igreja ver a filha da terra contrair matrimónio com “o nobre” como era conhecido James. Todos levaram flores que atiraram aos noivos quando eles abandonaram “a casa de Deus”. Katherine vestiu-se de branco. Quase ninguém sabia da existência de um bebé de três meses que tinha sido deixado com uma amiga em Glasgow. O dia estava bonito, o sol brilhava, estava calor. James que era completamente contra a ideia de casamento acabou por gostar bastante da cerimónia. Quem também confessou ter gostado mais da cerimónia do que tinha esperado, foram os tios do noivo que, finalmente, aceitaram a nova sobrinha. Afinal os Yarbrough vinham, também eles, de uma pobre família de agricultores.
O casal não teve uma lua-de-mel. Dois dias depois da cerimónia seguiram imediatamente para Glasgow e tiveram uma vida normal e feliz durante dois anos.
A notícia da morte do tio chegou a James por carta numa manhã chuvosa de Outubro de 1890. A letra era da tia e estava tremida. Implorou ao sobrinho que regressasse a Londres não só para o funeral, mas também para lhe fazer companhia juntamente com a mulher e o filho. Katherine aceitou prontamente e ele acabou por consentir também.
Em 1893, o mesmo ano em que James terminou o curso, o casal teve mais um filho. Chamaram-lhe Edward (o segundo nome de Henry). James entrou no mundo de trabalho através de um amigo que tinha conhecido na Universidade de Londres chamado Charles Berry, uma vez que o pai dele era dono do seu próprio escritório na cidade.
Em 1896 a tia de James morreu e ele herdou toda a fortuna do tio que juntou ao dinheiro que ainda sobrava do que tinha o pai. Foi então que concretizou o sonho de Katherine e comprou uma enorme quantidade de terreno na sua terra natal na Escócia já com o projecto de construir um local onde pudesse praticar equitação. As obras começaram em Março de 1897 e só acabaram em 1900. Pelo meio nasceram mais dois filhos: Jacob James Yarbrough em 1898 e, a primeira rapariga da família, Lucy Elizabeth Yarbrough. Foi com o nascimento desta última que James se despediu do seu antigo emprego com os Berry e se mudou para os subúrbios bem longe da sua antiga casa. Foi a partir daí que todos os verões a família esquecia a sua vida durante três meses, fazia as malas e viajava até à Escócia.

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